Início > Formula1 > 60 anos de Formula1: Os Dez Momentos Mais Rápidos da História

60 anos de Formula1: Os Dez Momentos Mais Rápidos da História

04/08/57 – Fantástico Fangio (GP da Alemanha, Nürburgring)

Prejudicado por um pit-stop mal sucedido que transformou a liderança de 28s em um atraso de 50s, Juan Manuel Fangio começou a missão de sua vida – uma caça sem precedentes até alcançar as Ferraris de Mike Hawthorn e Peter Colins, que lideravam. “Se você deixa o carro com uma marcha mais alta em algumas das curvas rápidas, desde que entre com o ângulo correto, vai sair mais rápido”, disse. “Comecei a fazer quase todas as curvas assim.” Rodando em torno de 20s abaixo do recorde da pista, finalmente passou os dois carros vermelhos na penúltima volta. Foi a última vitória de Fangio. “Naquele dia, consegui domar Nürburgring”, escreveu mais tarde. “Exigi tanto de mim que não consegui dormir por dois dias. Sabia que eu jamais conseguiria andar tão rápido assim novamente. Nunca”

10/09/67 – Clark dá show, mas não leva (GP da Itália, Monza)

Depois de descontar uma volta de atraso em relação aos líderes causada por um pneu furado, Jim Clark andava extraordinariamente dois segundos mais rápido que seus rivais, deixando-os um a um para trás. Despachou Jochen Rindt na volta 54 para assumir a quarta posição, sendo promovido a terceiro quando o líder Graham Hill abandonou. Clark então passou por John Surtees e Jack Brabham, que havia assumido a liderança duas voltas antes de Jim chegar nele. Na volta final, Clark liderava, seguido por Surtees e Brabham. Os fãs nas arquibancadas gritavam histéricos quando o trio desapareceu em meio às árvores. Mas quando os carros rugiram pela curva Parabólica, apenas dois deles estavam na disputa – com Surtees à frente de Brabham. Clark cruzou a linha de chegada em terceiro, já que um problema na bomba de combustível roubou-lhe o que seria sua maior vitória.

04/08/68 – Jackie some na liderança (GP da Alemanha, Nürburgring)

Antes do início da prova de 1968, o circuito mais perigoso da F1 estava ainda mais ariscado, com uma combinação de neblina densa e chuva incessante. Jackie Stewart titubeou até mesmo em abandonar seu confortável quarto de hotel. Mas cumpriu seu dever naquela tarde molhada e escura. Largou da sexta posição e, antes do fim da primeira voltando circuito de 22km, assumiu a liderança – com toda sua graça e estilo.

Então, Stewart simplesmente sumiu na névoa – e na liderança. Depois de três voltas, possuía uma vantagem de 37 segundos. No meio da prova, essa distância havia aumentado para um minuto e meio. Graham Hill, seu adversário mais próximo, finalmente viu a bandeira quadriculada mais de quatro minutos depois de Stewart, que já havia saído de seu carro e estava conversando com seus mecânicos.

“Essa foi minha melhor corrida no ‘Ring’ “, disse Jackie. “E foi minha melhor pilotagem de todas, por causa da vantagem na vitória.”

06/10/79 – Gilles e o controle sublime do carro (GP dos Estados Unidos, Watkins Glen)

Gilles Vulleneuve sempre teve aquela maníaca e selvagem aproximação de curva que enchia os olhos. Durante os treinos para o GP dos Estados Unidos, uma chuva torrencial deu ao canadense a oportunidade de se divertir. Criando uma enorme trilha de spray de água enquanto buscava derrapagens enormes na saída de todas as curvas, Villeneuve registrou o tempo de 2min01s437. O segundo colocado era o mais novo campeão mundial, Jody Scheckter, que ficou preocupado ao ver que seu melhor tempo foi quase 10s mais lento.

“Eu poderia ter sido mais rápido”, Gilles comentou depois. “Mas o motor falhava e tinha 600 rpm a menos, era arriscado bater.”

“Por que se preocupar com ele?”, perguntou um gargalhante Jacques Laffite. “Gilles é diferente do resto de nós. Ele está um nível acima.”

20/07/85 – A volta espetacular de Rosberg (GP da Inglaterra, Silverstone)

Com pingos de chuva caindo nos minutos finais das tomadas de tempo do sábado, era agora ou nunca para Keke Rosberg. Fumaça preta saia do escapamento de seu carro quando ele voava em sua melhor volta. Na última curva, Woodcote, sua trajetória foi aberta demais e estranha, beliscando as zebras, batalhando por aderência.

“O carro simplesmente não virava”, afirmou Keke depois. “Por isso eu saí do traçado ideal. Aquilo me pegou completamente de surpresa. Só depois de um tempo que eu descobri que tinha um pequeno furo no pneu esquerdo dianteiro. Quando eles checaram, viram que a pressão tinhah caído 12 libras, e 10 minutos mais tarde estava completamente vazio.”

A volta de Keke foi certeira – 1min05s591. Foi incrivelmente rápida, com média de 257,48 km/h, uma velocidade impressionante que sófoi superada por Juan Pablo Montoya, no GP da Itália de 2002 – passados 18 anos.

12/07/87 – Mansell levanta a torcida (GP da Inglaterra, Silverstone)

Forçado a entrar nos pits depois de um problema com uma roda, Nigel Mansell iniciou as 30 voltas finais do GP inglês meio minuto atrás de seu companheiro, Nelson Piquet. Então ele desce a bota e passa a detonar o recorde da pista, repetidamente – girando um segundo, às vezes dois, mais rápido que o brasileiro. Com o cheiro de vitória no ar, a multidão berrava e apoiava.

“Foi uma sensação extraordinária”, disse o batalhador piloto britânico. “Eu pilotei as últimas 20 voltas exatamente no limite, e não gosto de fazer isso num circuito tão rápido, Mas sabia que seria necessário se quisesse superar o Nelson.”

Nas 10 voltas finais, a diferença era de 7,6 segundos. Mansell abaixou para 6.5;3.9;2.0;1.4;0.8 até que, na volta 63, ele estava colado na traseira de Piquet. Na curva Stowe, Mansell pôs o carro para a esquerda, driblou-o e se concentrou na manobra. O inglês conseguiu passar e o público inglês urrava vendo seu ídolo alcançar uma improvável vitória.

14/05/88 – Ayrton em outra dimensão (GP de Mônaco, Monte-Carlo)

Na última tomada de tempos, Senna marca o tempo de 1min25s6. Depois, 1min24s4 e, finalmente, uma assombrosa volta de 1min23s998. Seu companheiro de equipe, Alain Prost, veio a seguir com o tempo de 1min25s425. O terceiro colocado Gerhard Berger marcou 1min26s685. Para Ayrton, aquele fim de treino o levou a lugares que ele normalmente tinha medo de se aventurar. “Eu simplesmente continuava acelerando”, falou. “De repente, percebi que não estava mais guiando um carro conscientemente. Eu estava pilotando por um tipo de instinto, somente eu estava numa dimensão diferente. Parecia que o circuito todo era um túnel. Eu estava acima do limite, mas ainda conseguia ir além. Então, de repente, alguma coisa me fez voltar à realidade e eu tirei o pé. Dirigi bem devagar de volta para os pits. Aquilo me assustou porque eu estava muito acima do entendimento da minha consciência. Acontece raramente mas eu mantenho essas experiências muito vivas dentro de mim porque é algo que é importante para sua auto-preservação.”

29/09/91 – Disputa milimétrica de pé embaixo (GP da Espanha, Barcelona)

Os riscos estavam elevados – tanto Nigel Mansell quanto Ayrton Senna ficaram furiosos na reunião e pilotos, depois que o presidente da FIA, Jean Marie-Balestre, criticou a dupla pelas disputas na pista. Com suas chances no campeonato voltando a florescer, Mansell estava disposto a superar Senna e perseguiu o brasileiro por duas voltas até colar na McLaren na última curva da quarta volta. Depois de grudar na asa traseira de Senna, Nigel saiu do vácuo e parecia estar congelado lado-a-lado com a McLaren, quando os dois carros iam na reta principal até a primeira curva, a 320 km/h. Não houve qualquer manobra ilícita, apenas uma disputa de nervos com os pilotos separados por poucos centímetros. Por angustiantes segundos, parecia que o Williams amarelo e azul enroscaria suas rodas com as do McLaren do Senna, no melhor estilo Ben-Hur. Por fim, Mansell , de forma desesperada, ficou à frente depois de retardar a freada para além de qualquer expectativa. Foi emocionante. E Nigel venceu a prova.

27/08/2000 – Super Mika detona Schumacher (GP da Bélgica, Spa-Francorchamps)

Mika Häkkinen deu o primeiro sinal de suas intenções na 40ª volta, quando saiu do vácuo de Michael Schumacher enquanto se aproximavam da chincane Les Combes. Michael fechou-lhe a porta a 300 km/h, quase jogando Häkkinen para fora da pista.

“Hmmm, o carro de Michael estava…muito largo naquela volta”, ironizou o finlandês depois da prova. “Foi tenso, um momento nada agradável”.

Na volta seguinte, Mika acelerou sua McLaren ao máximo pela Eau Rouge a fim de pegar o vácuo de Michael novamente. No topo da curva, o alemão encontrou o retardatário Ricardo Zonta, da BAR, no meio da pista, e saiu para a esquerda. Numa fração de segundo, Mika tomou o lado direito a 320 km/h para bloquear a entrada de Michael na curva seguinte.Zonta nem tinha visto Mika e ficou assustado quando os dois carros passaram por ele, um de cada lado. Exultante, Ron Dennis disse após a prova: “Tenho certeza que a ultrapassagem de Mika entrará para a história como uma das maiores da Formula1”. Ele estava certo.

09/10/2005 – Arriscando-se a 325 km/h (GP do Japão, Suzuka)

Quando uma tempestade ocasionou uma tomada de tempos atípica, Fernando Alonso viu-se no fim do grid em Suzuka, ao lado de Michael Schumacher e Kimi Räikkönen. Determinados, os três pilotaram com arrojo e paixão, escalando o pelotão. Enquanto Kimi Räikkönen fez uma manobra heróica ao ultrapassar Giancarlo Fisichella e tomar a liderança na Curva 1 da última volta, Fernando Alonso também conseguiu um feito verdadeiramente lendário.

Na 20ª volta, ele perseguiu Schumacher na formidável curva 130R. O alemão manteve-se  no traçado interno, forçando o Renault a tomar o lado esterno da tomada. Alonso, então, fez algo inimaginável: continuou de pé embaixo, a 325 km/h, passou por sobre as ondulações, e saiu na frente. “O asfalto acabou”, disse Alonso. “Precisei usar um pouco do gramado!”

“Michael não facilita as coisas para ninguém, jamais”, disse Johnny Herbert, surpreso, logo depois. “Passar qualquer piloto ali, principalmente Michael, requer uma dose extra de arrojo e coragem. Não há aderência para a freada e, uma vez no traçado externo, não há como voltar. Então, se errar, já era”.

Transcrito da F1 Racing (brasileira) de fevereiro de 2007

Categorias:Formula1
  1. Luiz Sergio
    22/05/2010 às 10:37

    O que eu li sobre essa corrida, foi que na corrida, depois que voltou para a pista ele bateu o seu record a cada volta, penso que foi um dos momentos mais fantástico da F1 e do Fangio.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s