Início > Formula1 > E se ele não tivesse batido a cabeça?

E se ele não tivesse batido a cabeça?

Normalmente sou o primeiro a dizer algo do tipo: “o se não entra em campo” ou “pena que o se não tem carro esse ano…”. Mas ano passado, mais precisamente na primeira metade do ano, “me peguei pensando” nessa hipótese.
Talvez pelo fraco desempenho do Rubinho naquele começo de temporada (problema com freio ajudou). Com certeza pelo comportamento dele ao aceitar a missão de ser o novo héroi da Globo.
De qualquer jeito não pude evitar de pensar: e se fosse o Gil de Ferran no lugar do Barrichello?
Gil é o piloto brasileiro que mais admirei. Seu conhecimento técnico, personalidade e pilotagem se sobressaiam dentro de um universo de garotos sem cabeça e arrogantes.
Não vou me aprofundar na carreira do Gil, mas sugiro a quem a desconheça que o faça.
Em 1992, Gil de Ferran foi campeão inglês de Fórmula 3. Por essa conquista, foi recompensado com um teste em Silverstone no monoposto campeão da Formula1, o mítico Williams FW 14B (aposto que muitos já sonharam com isso).

Naquele dia, antes de Gil andar com o super bólido, outro piloto deu umas voltinhas com essa Williams. Esse piloto era Alain Prost, tricampeão na época. O teste aconteceu com pista molhada. Mesmo sendo o primeiro contato do brasileiro com um F1 e em condições adversas, a vantagem de Prost ficou em “apenas” meio segundo.

O franco-brasileiro (Gil nasceu na França) saiu do carro satisfeito. Talvez imaginando que não muito tempo depois, teria em suas mão outro desses…

Sem vaga na Formula1 em 93, ele disputa a F-3000 e no meio da temporada, mais um teste com um F1.

O segundo teste já não seria com a Williams, mas com a fraca Footwork. Sobre este teste, “kibarei” o Pandini:

Gil foi convidado a pilotar o Footwork-Mugen nos testes coletivos realizados em Estoril, logo após o GP de Portugal. Deu as primeiras voltas, sentiu o cockpit apertado demais e pediu algumas mudanças. O carro estava sendo partilhado com outros pilotos, como Christian Fittipaldi e Jos Verstappen, e Gil teria algum tempo ocioso antes de voltar à pista. Caminhava pelo paddock quando de repente surgiu à sua frente a porta de um dos caminhões da Footwork. Resultado: quatro pontos na cabeça e fim do teste para o brasileiro.

Sem poder andar com os ajustes que desejava, a melhor volta do dia ficou com o holandês Jos Verstappen, um segundo e meio melhor que De Ferran.

Por não chamar atenção das equipes com esse teste o caminho para a F1 se mostrou complicado.

Havia uma possibilidade de Sir Jackie Stewart levar sua equipe à F1 com Gil de Ferran como piloto, mas esse projeto ainda demoraria e Gil não iria esperar tanto. No final de 1994, ele decidiu que seguiria para a F-Indy.

Impressionou de imediato na categoria estadiunidense, tanto nos primeiros testes como nas corridas. O resto virou história: 2 títulos e 1 vitória nas 500 milhas de indianápolis.

Assim como em um mundo perfeito, Gil de Ferran conseguiu um Formula1 pra andar. Uma pena se tratar do “Festival of Speed”, de Goodwood em 2004. Pelo menos era um carro especial, que pertenceu a seu ídolo.

McLaren MP4/8 de 1993, número 8.

Tanto tempo depois, não consigo deixar de pensar em como teria sido. Já imaginei até mesmo “dando uma de Schumacher”, no bom sentido é claro, estamos falando do Gil. A referência é em relação ao que fizeram Schumacher, Byrne, Todt e Brawn. Poucos entendem de carros como ele.

Hall – 1994

Walker -1997

Walker – 1999

Penske – 2002

Penske – 2003

Roubado de:

F1 Nostalgia

Pandini GP

JCSPEEDWAY

  1. Luiz Sergio
    26/04/2010 às 7:58

    Vito, dois nomes brasileiros que tinham potencial para se destacar na F1, Gil de Ferran e um bem mais antigo Luis Pereira Bueno, mais sabemos que F1 o piloto tem que está na equipe certa e na hora certa, pois o Da Matta tinha também essas qualidades e não sobreviveu a política ridícula da equipe toyota.

  2. Luiz Sergio
    24/04/2010 às 13:03

    Ele entrou para a galeria dos grandes pilotos brasileiros.
    Nós ainda vamos dar valor para todos eles, o Brasil, vai ter um povo que tenha memória.

    • Vito
      24/04/2010 às 14:33

      Luiz Sergio,
      Assisti (pela enésima vez) o video “A ERA DOS CAMPEÕES”. Um documentário sobre os brasileiros que foram campeões mundiais de F1.
      Tem uma parte que falam sobre os que não vingaram na F1 e mostram o Mauricio Gugelmin. Como o cara mudou de uma grande promessa para um totalmente esquecido. O cara chegou a passar por problemas financeiros. É muito triste isso.
      Quanto ao Gil, não vingou na F1, e 90% da população brasileira não o conhece, mas ele se sente (e é!) um vencedor!

  3. KBK
    23/04/2010 às 22:52

    Essa passagem pela F1 foi tão desgastante e infrutífera, que nem quis comentar. Todo mundo viu quando foi-se a burocracia japonesa o que os mesmos profissionais (praticamente) conseguiram fazer, um carro campeão.
    Hoje, ele comanda uma equipe na Indy, já com resultados expressivos.

  4. Vito
    23/04/2010 às 12:34

    Só faltou falar do periodo dele como diretor da Honda na F1.
    Acho que ele se deu conta de como a equipe era uma barca furada e caiu fora.

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s