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China: Corrida

Melhores momentos do GP da China.
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Meia hora antes da corrida, começam a cair algumas gotas sobre o circuito de Xangai. Comento com o amigo Tomás, do Blog Fórmula 1, “reprise da Australia”… mal eu sabia…

Não foi idêntico, mas parecido. As gotas antes da largada não foram suficientes para causar a largada com pneus intermediários, mas o “chove e seca” foi, novamente, o protagonista.

Todo mundo (exceto Glock) largaria de pneus Slicks. Sabendo da menor aderência do “lado ímpar” do grid, que ficou mais escorregadio que o “lado par”, Alonso (P3) provavelmente quis compensar essa desvantagem, se precipitou.

Tirando a posição para Alonso, que pagaria um drive through, Vettel perdeu a liderança para Webber. Atrás deles, vinham Rosberg, Button, Hamilton e Massa.

Ainda na primeira volta, Liuzzi perde o controle do carro ao reduzir marcha para frenagem na curva 6. Rodou e bateu em Buemi e Kobayashi, que também ficaram fora da corrida. Esse acidente causou a entreda do safety-car. Muitos pararam para colocar pneus intermediários, alguns decidiram continuar com os slicks.

Trocaram para intermediários: Webber, Vettel, Hamilton, Massa, Schumacher, Alonso, Trulli, Hülkenbeg, B. Senna e Chandhok.

Hamilton decidiu entrar já enquanto contornava a última curva do circuito, perdeu posição para o Massa antes mesmo de entrar no pitlane. Na prática, Lewis “andou para trás” para realizar essa manobra, o que gerou a primeira discussão sobre Hamilton do dia.

Vettel teve que esperar a equipe reparar o bico do carro de Webber, o que lhe custou posições para Massa, Schumacher e Hamilton.

Lá na frente, de pneus slick, Rosberg liderava à frente de Button, Kubica, Petrov, De la Rosa e Kovalainen, acreditem ou não, P6.

Neste momento, o “pulo do gato” era de Sutil, que havia colocado pneu intermediário já na primeira volta. Sutil estava em 8°, tendo a sua frente carros mais lentos (e com pneus slicks) como De la Rosa e Kovalainen.

Assim que o safety-car voltou para os box, parecia que a condição da pista era melhor para intermediários. Não era. Aqueles que haviam optado por trocar pneu agora se viam obrigados a fazer uma nova troca, e primeiro foi Schumacher, na volta 5.

Na volta 6, a segunda polêmica envolvendo Hamilton. Na entrada do box, o piloto inglês está lado a lado com Vettel, mas consegue entrar na frente. Ambas equipes fazem péssimas paradas, na casa de 10 segundos, coincidentemente, e saemde seus boxes muito próximos. Vettel já estava um pouco à frente, mas Hamilton não quis ceder o espaço, andou lado a lado por todo pitlane sobre a faixa azul, que não é considera como sendo a “pista de fora”. A direção de prova declarou que este incidente seria analisado depois da prova, o que excluia a possibilidade de uma punição na atual prova.

Eu fiquei surpreso, a atitude da Hamilton, em conjunto com a de Vettel, colocou em risco a integridade física de mecânicos e pessoal de box de várias equipes. Ouvi David Coulthard e Martin Brundle, dois ex-pilotos de F1, e britânicos, dizendo que Hamilton deveria ser punido e Vettel advertido. Se alguém tiver algo a dizer sobre isso, por favor faça na seção de comentários.

Enquanto isso, Nico Rosberg fazia 2 voltas mais rápidas em seqüência, mostrando seu maior talento, rítmo de corrida.

Na volta 12, Vettel e Hamilton (que já haviam passado Webber), encostam em Sutil. Vettel sai bem da curva 13 e persegue Sutil pela reta. Vettel coloca por fora e Hamilton por dentro (na hora lembrei de Hakkinen Vs. Schumacher com o Zonta no meio, Spa 2000). Sutil defendeu sua posição sobre Vettel “estragando” o traçado do alemão, Lewis (grande amigo de Sutil) aproveitou-se da situação e passou os 2, assim como um artilheiro bem posicionado, faz um gol de rebote.

Vettel deu o troco em Sutil na volta seguinte. O alemão da Red Bull consegue se manter próximo durante a curva 13 e se aproveita do vácuo, na grande reta, para colocar por dentro de Sutil. Dessa vez foi Vettel que prejudicou o traçado de Sutil, que acabou perdendo posição para Webber numa manobra muito similar à de Hamilton na volta anterior.

Com pista livre, Hamilton virava muito mais rápido que os líderes (1:43.276 contra 1:45.313 de Rosberg e 1:45.361 de Button, que vinha 3 segundos atrás do alemão). Rapidamente chegou em Schumacher, que lhe deu trabalho. Vettel (segundo mais rápido no momento) começava a se aproximar dos 2.

Na terceira tentativa, Hamilton consegue ultrapassar Schumacher, o alemão ainda mergulha na curva 14, mas leva o ‘X’. Na volta seguinte, Vettel consegue a ultrapassagem sobre seu “ex-ídolo”, condicionando o heptacampeão ao lado de fora da pista, ultrapassagem limpa.

Rosberg seguia na liderança, mas o princípio de chuva o pegou desprevinido. Rosberg saiu da pistana curva 12, voltando logo à frente de Button (antes havia 5 segundos de diferença). Button contornou melhor a 13 e colocou por fora na grande reta, Nico (ainda assustado com a saída de pista) foi cauteloso na freada da 14 e perdeu a liderança para Jenson. Os 2, assim como Kubica, Petrov, Hamilton e Vettel, completaram a volta, enquanto Webber e os demais atrás dele paravam para colocar pneus intermediários.

Alonso colocou o carro ao lado de Massa no trecho após a curva 14 até o box, finalizando a manobra na curva de entrada. Este incidente já gerou mais atenção do que necessária, deixarei por isso.

Hamilton e Vettel foram os maiores prejudicados, perdendo posição para Schumacher e Webber.

Mas na volta seguinte, o Safety-car entra na pista para possibilitar a retirada de pedaços de carro (Alguersuari) da pista. Discutível a necessidade pela segurança, indiscutível pelo espetáculo. A vantagem de Jenson sobre Red Bulls e Hamilton era superior a 50 segundos.

O recomeço também foi dramático. Jenson Button, líder, foi demasiadamente lento na aproximação da curva 14. Os pilotos que vinham atrás tiveram de improvisar para que não houvesse acidentes, Hamilton, por exemplo, teve de sair da písta. A tática de Jenson não deu muito certo, mas pode ter causado o terceiro incidente do dia envolvendo Hamilton.

  • Regra 40.11, parágrafo 3: “Para evitar a possibilidade de acidentes antes que o safety car retorne ao pit, desde o momento em que as luzes laranjas se apagam, os pilotos devem prosseguir em um rítmo que não envolve aceleração ou frenagem errática, nem qualquer outra manobra que possa colocar em perigo outros pilotos, ou impeça a relargada.”

Provavelmente irritado pela situação na curva anterior, Lewis partiu com agressividade extra para cima de Webber e praticamente jogou Webber para fora na pista no contorno da última curva. Mas Lewis não foi o único culpado, Vettel pressionou Hamilton. Pior para Mark Webber, que perdeu várias posições.

  • Será que a nova regra, de não precisar esperar até a linha de chegada para ultrapassar, não foi a causadora desta confusão?

Sem o safety car e com pista molhada, Hamilton voava na pista. Ele parecia ser o único a ter aderência na seqüência das curva 8 e 9, conseguindo realizar suas ultrapassagens ali.

Depois de passar por Petrov e Kubica, Hamilton tinha a sua frente Rosberg. Em Albert Park, na Austrália, Rosberg não demonstrou combatividade e esperava-se o mesmo nesse momento. Uma grande surpresa a garra com que Nico defendeu sua posição. Se posicionando por dentro na curva 14, conseguindo voltar depois de ser ultrapassado entre a 8 e a 9. Rosberg não era aquele que vimos na Austrália, esse era outro piloto. Hamilton não conseguiu ultrapassar.
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Os pneus intermediários da maioria já estava bem desgastado, Webber foi o primeiro a parar e nas voltas seguintes estava 2 segundos por volta mais rápido que os líderes. Hamilton foi para o box uma volta antes que Rosberg, a parada do alemão não foi boa (6.8 secs) e Hamilton conseguiu ganhar a segunda posição desse jeito.

Mais atrás, Alguersuari, Petrov, Massa e Sutil disputavam a 9ª posição. Na volta 46, Petrov se posicionou por dentro na grande reta e conseguiu ultrapassar na curva 14, Alguersuari abriu demais e possibilitou que Massa também o ultrapassasse. Meia volta depois, foi a vez de Sutil ultrapassar o jovem espanhol.

Lá na frente, mesmo fazendo uma ótima corrida, Rosberg não conseguia manter a vantagem sobre Alonso. O piloto da Ferrari chegou a ser o mais rápido por algumas voltas, mas Nico soube reagir, fazendo a sua Mercedes ser mais veloz que Alonso por algumas voltas, frustando qualquer expectativa do espanhol.

Hamilton tentava se aproximar de Button, mas seu pneu dianteiro esquerdo já não tinha as ranhuras iniciais. Normalmente este seria mais um mero fato de corrida, mas voltando um pouco no tempo, em condições similares no ano de 2007, Lewis sofreu com desgaste precoce de seus intermediários e acabou na caixa de brita na entrada do pitlane, um dos principais motivos de não ter sido campeão aquele ano.

Vettel (P6) queria a posição de Kubica, que vinha 2 segundos à frente. Mas pela primeira vez no ano, a velocidade da Red Bull não chamou atenção e Kubica conseguiu manter sua 5ª colocação, em mais uma boa corrida do polonês.

Button, que vinha com 9 segundos de vantagem sobre Lewis, viu essa diferença cair para 5 segundos quando errou na freada da curva9. Sem maiores conseqüências. Schumacher, por outro lado, viu o estreante Petrov lhe roubar a 8ª posição.

Enquanto Massa tentava ultrapassagem sobre Schumacher, Webber (o primeiro e colocar novos intermediários) defendia sua posição de Petrov. Num erro do australiano, o jovem russo consegue assumir a posilção em que terminaria, sétimo.

Massa, por fim, ultrapassou Schumacher e terminou em 9º. Muito pouco para uma Ferrari, muito pouco para quem quer ser campeão.

Classificação final.

A Maldição da Pole

Contrariando o que se conhece da Formula1 moderna, largar em 1º lugar esse ano tem se provado pouco importante para a vitória. Quatro corridas e em nenhuma delas o pole sitter venceu. “Fazer a pole é a primeira derrota do fim de semana”.

A Maldição Chinesa

Sétimo ano do GP da China, sétimo vencedor diferente. “Ganhar na China acaba com suas chances de ganhar na China”.

A decisão de Button

Foi dele, novamente, a decisão que lhe facilitou a vitória. Mas desta fez não foi “o primeiro” ou único, Rosberg e Kubica eram as maiores ameaças. De qualquer maneira, a sapiência de Button lhe garante a liderança do campeonato, ou seja, à frente de Lewis.

A garra de Schumacher

Se falta a velocidade em qualifying e rítmo durante as corridas, a garra, pelo menos, não sumiu. Michael não estava confortável com seu carro, mas mesmo assim conseguiu segurar Hamilton por certo tempo. Mesmo quando superado pelo inglês no meio da grande reta, se colocou no vácuo da McLaren #2 para tentar recuperar a posição. Levou um ‘X’, mas a tentativa já era mais do que o esperado.

Outro ponto à favor do velho dinossauro se deu pela rápida reação às condições da pista, tal fato lhe colocou à frente de Hamilton, Webber e Vettel naquele momento.

A confiança no radar (chuva)

Nico Rosberg afirmou após a corrida que seu engenheiro Jock Clear, o avisava “chuva deve aumentar daqui 3 minutos” e depois de duas voltas era possível ver mais gotas na viseira. Isso serve para mostrar que normalmente os dados do radar são bem precisos, mas não imune a falhas.

Os alemães

Esse ano 6 pilotos representam a Alemanha. Desses, metade está em equipes do G4, outros 2 em equipes médias (Sutil e Hülkenberg) e somente 1 em equipe fraca. Não só isso, mas Vettel e Rosberg são dois dos melhores deste campeonato (em termos de desempenho até então)

Rítmo de corrida (McLaren)

A equipe de Woking (principalmente com Hamilton) parecia ter o carro mais rápido durante a corrida, mas não no qualifying. Muito provavelmente isso se dê pela dificuldade em ajustar a altura de seu carro, o que gerou acusações a outras equipes…

A condição da pista, porém, não torna conclusiva qualquer observação quanto ao rítmo de corrida da McLaren.

Motor Ferrari

Na volta 7, mais um motor Ferrari “abriu o bico”. Foi o da Sauber de Pedro de la Rosa. Se a Ferrari não conseguir realizar modificações visando durabilidade, Alonso e Massa terão dificuldades em disputar o título.

Waving de Hamilton

Uma manobra igual à de Hamilton ao defender sua posição de Petrov, na Malásia, não será mais advertida, mas sim punida.

Desgaste dos intermediários

Praticamente todas as equipes tiveram dificuldade com desgaste destes compostos. Uma exceção foi Fernando Alonso com sua Ferrari.

Pneu intermadiário de 2010

O composto para chuva leve, deste ano, é mais macio do que era anteriormente. Isso causa maior desgaste e a necessidade de fazer uma troca de pneus para chegar ao fim da corrida, como vimos na China.

Categorias:Formula1
  1. Vito
    20/04/2010 às 11:56

    Safety-car: a regra de relargada tem que ser cumprida… ou alterada! Muita gente não cumpre, e não são punidos…

    Hamilton: fez zig-zag antes, fez bobagem atras do safety-car e aquele ABSURDO nos boxes… imagina se um Hulkenberg ou um Chandhok faz isso, iam ser empalados!!!

    Buemi: ano passado deu um banho no Bourdais (fraquinho) e depois pegou um Alguersuari sem experiencia e sem foco (disputava 2 campeonatos), daí foi eleito o novato do ano… mas agora o espanhol mostrou quem ele é! E é bom o Buemi abrir o olho, caso contrário pode estar implorando por uma vaga na Hispania no fim do ano.

    Kobayashi: o que ele mostrou de talento ano passado, tá tendo de azar esse ano. Precisa de um banho de shoyo com sal grosso.

    Kovalainen: gente, o homem colocou a Lotus em 6o lugar em algum momento da corrida, e ainda terminou a corrida somente 1 volta atras e na frente de uma Willians. Isso sim merece cartaz!

    Schumi: parecia o Tom Cruise lutando no filme “O Ultimo Samurai”, muita garra, caindo de quatro, mas levantando e lutando novamente… e levando sova!

    • KBK
      20/04/2010 às 22:13

      Eu não esperava esse rendimento do Alguersuari, está me surpreendendo. De resto, concordo com tudo,principalmente quanto à regra. Ou respeita-se ou muda-se.

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