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Hispania Racing Team, a última

Conforme pedidos, algumas palavras sobre a Hispania. O nome Hispania, aliás, não diz muito, só a origem da equipe. Falemos do passado então.

Esta equipe se inscreveu, em 2009, no processo de seleção para entrar na Formula1 em 2010 sob a alcunha de Campos Grand Prix. Este nome, era uma variação da equipe Campos Motorsport, fundada por Adrian Campos (ex-piloto de F1).

História

A Campos Motorsport, fundada no final de 1997, começou muito bem no automobilismo. Competindo em 98 na recem criada ‘Open Fortuna by Nissan‘, tendo como pilotos Marc Gené e Antonio García. Gené foi campeão, García terminou em 5º e a Campos conquistava seu primeiro título de construtores, logo na estréia. No ano seguinte, Gené foi para a Formula1, em seu lugar, um garoto chamado Fernando Alonso. Fernando foi campeão e García novamente terminou em 5º. Segundo ano e segundo título de pilotos e construtores para a Campos Motorsport. No ano seguinte, 2000, Alonso se transferiu para Formula 3000 Internacional, coube a Antonio García liderar a equipe, que novamente foi campeã de pilotos (García) e construtores.

A categoria teve 6 nomes difernetes de 1998 a 2004, sempre comandada pela Nissan. De 2005 até hoje, o comando é da Renault e o nome da categoria é World Series by Renault. Segue abaixo alguns dos campeões:

  • 1998 – Marc Gené
  • 1999 – Fernando Alonso
  • 2001 e 2003 – Franck Montagny
  • 2002 – Ricardo Zonta
  • 2004 – Heikke Kovalainen
  • 2005 – Robert Kubica
  • 2007 – Álvaro Parente

Outros que não ergueram o caneco:

  • Giorgio Pantano (1999 – 21º)
  • Justin Wilson (2002 – 4º)
  • Enrique Bernoldi (2003 – 6º; 2004 – 3º)
  • Thiago Monteiro (2004 – 2º)
  • Sebastian Vettel (2006 – 15º; 2007 – líder após 7 corridas, abandonou a categoria para ser piloto de testes da BMW Sauber F1)
  • Jaime Alguersuari
  • Tomas Scheckter (2001 – 2º)
  • Andy Priaulx (2001 – 18º)

Em 2004, a Campos Motorsport mudou seu foco para a Fórmula 3 espanhola, competindo com 2 equipes e 4 pilotos.

Em 2005 o nome foi mudado para Campos Racing. Neste ano, além de compétir na F-3 espanhola, montou uma equipe na GP2 (recém criada), assim como na Copa de España F300. Nesta última, foi campeã com piloto e equipe em 2005 e 2006.

Sob o nome de Campos Grand Prix, terminaram a temporada de 2007 na GP2 em 3º lugar. Os pilotos eram Petrov e Pantano.

Conquistaram seu primeiro título da GP2 em 2008 e Lucas di Grassi terminou em 3º. Neste ano, também, conquistaram seu primeiro campeonato da F-3 espanhola e mantiveram o domínio em 2009 (agora conhecida como European F3 Open).

Depois de 2008, Adrian Campos passou o controle da equipe da GP2 para Alejandro Agag, e o nome da equipe agora é Addax Team.

Vitaly Petrov em 2008 pela Campos Racing, já com patrocínio da Addax.

Voltando a falar sobre Formula1, a Campos Grand Prix, já aceita pela FIA para integrar o grid de 2010, mudou seu nome para Campos Meta, por questões comerciais. Em favereiro deste ano, José Ramón Carabante de la Plaza, empresário espanhol, assumiu o controle da equipe, mudando seu nome para Hispania Racing Team, em citação ao Grupo Hispania, sua empresa. Esta nova mudança, contudo, não foi aceita pela FIA. A equipe está oficialmente inscrita como HRT F1 Team.

Carro de Formula1?

Geoff Willis, ex-diretor técnico da Red Bull é o atual da HRT. Quando saiu da RBR, não esperava que fosse trabalhar com um carro tão mal feito, o F110.

A ex-Campos (Motorsport, Racing, Meta) decidiu terceirizar o projeto de seu carro para o ano de 2010. Firmaram um acordo com a empresa italiana Dallara para projeto e fabricação de seu bólido, que seria equipado com motor Cosworth.

Mas esse não é o debut da combinação Dallara-Cosworth na Formula1. Em 1988, a Dallara (sob o nome de BMS Scudderia Italia) construiu um bólido de relativo sucesso, o 188, equipado com motor Cosworth 3.5 V8 (chamado de Ford). A equipe começou o ano sem patrocínio algum, mas pelos bons resultados, recebeu apoio, por exemplo, da Marlboro.

O carro acima, F189 de 1989, era especialmente rápido em pistas lentas, como Monaco e Hungria.

Críticas à Dallara

Todo engenheiro responsável pela parte técnica de uma equipe de F1 já está acostumado a responder perguntas sobre o carro de sua equipe. Quando este apresenta problemas, o procedimento padrão é minimizar os defeitos, listar as virtudes e tentar mudar de assunto. Quando o experiente Geoff Willis foi posto nesta situação, falou ininterruptamente por 26 minutos sobre os defeitos do carro projetado pela fábrica italiana.

“Francamente, estou desapontado. Estava esperando algo melhor”

“Existem vários fatores que comprometeram o projeto, entre eles o “para e começa” [em função de dificuldade financeira da Campos]. Por isso, muitas curvas “foram cortadas” para que o carro ficasse pronto a tempo”

“Mas fundamentalmente, estou desapontado com o nível de engenharia no carro. E acho que – por uma margem considerável – não reflete o que se pratica na Formula1 no momento”

“Você pode culpar a falta de tempo, experiência e finanças, mas acho que mesmo considerando tudo isso, estou desapontado com o que eu vejo”

“Estou menos preocupado com performance geral, porque o programa aerodinâmico foi parado já há algum tempo, e era relativamente pequeno. Mas provavelmente é o mesmo nível do programa da Lotus e o carro claramente não está tão rápido quanto a Lotus”

“E só estou pensando sobre a qualidade da construção, qualidade e refinamento do projeto. Acho que está faltando vários truques que seriam considerados como “regra” por qualquer um no pitlane

“Não estou particularmente interessado em ficar com um carro que está no fim do grid. Estou interessado em fazer carros irem mais rápído e gerenciar tudo”

“Não me importa se você está tentando ganhar o campeonato ou se você quer melhorar do fim do grid, só estou ansioso em ter certeza que teremos um programa com fundos para tornar isso um desafio interessante, e isso é algo que precisamos resolver”

Como o projeto é completamente da Dallara, a HRT não dispõe de todas informações necessárias para melhorar o projeto atual. No momento, a melhor opção é que as melhorias sejam feitas pela Dallara, com supervisão da equipe espanhola.

Seria possível começar do zero, mas trata-se de um processo demorado e dispendioso. A equipe necessita melhorar logo.

“Nós precisamos de um “atalho” para colocar performance no carro”

Motor fraco?

O motor CA2010, fabricado pela Cosworth, passa a impressão de ser o menos potente do grid. Mas como o F110 só pode ser comparado aos carros da Virgin e da Lotus, não serve como desculpa.

Vale ressaltar que a Cosworth teve que achar uma solução eletrônica às pressas, antes do GP do Bahrain, para que os carros da HRT pelo menos funcionassem.

O tanque aguenta?

Até agora não apareceram indícios sobre baixa capacidade do tanque. Mas ficaremos atentos aos finais de corrida, se houver diminuição de rítmo, é minha primeira aposta.

A grana

Atualmente, a equipe conta com 3 patrocinadores. Destes, dois são brasileiros (Embratel e Banco Cruzeiro do Sul), obviamente graças a Bruno Senna. O terceiro patrocínio oficial provém da secretaria de turismo da região da Murcia, no litoral espanhol. Karun Chandhok, aparentemente, não trouxe dinheiro à equipe. A grana é curta.


E essa é a única opção para Chandhok ver uma Red Bull de perto.

Categorias:Formula1
  1. 10/04/2010 às 12:28

    ótimo meu amigo KBK!
    O post está uma beleza, por si só.
    é engraçado porque poucos falam da hispania atualmente, e ela tem uma grande importancia no futuro da F1. (isso valeria se fosse 1º de abril, hehe)
    agora, com a melhor dupla do grid, um carro calibrado e que está um segundo a frente da red bull, só falta o titulo.
    Dá-lhe Sennnnnnnnnnna!!!

    (P.S.: falando sério, excelente artigo e continue assim com o fastest Lap. abraço amigão!)

    • KBK
      10/04/2010 às 22:21

      Obrigado por todo apoio, Tomás! Belo sonho este seu…ehhe
      Sobre o Bruno, acho que ele está tendo mais dificuldades de se acertar com o carro do que o Chandhok, vejamos no decorrer do ano.

      • Vito
        13/04/2010 às 12:22

        KBK, todos falam que o indiano tá dando uma “lavada” no Senna. Não vejo bem assim.
        1a corrida: não conta! Entraram só para dizer.
        2a corrida: Senna larga na frente mas quebrou, Chandhok terminou.
        3a corrida: ambos terminam, Chandhok sempre na frente pois seu carro tem as divisões no tanque que Senna não tem.
        4a (China): ambos teram carros iguais… aqui inicia a comparação!

  2. KBK
    10/04/2010 às 1:24

    Luiz, realmente, eu havia esquecido que as Red Bulls colocam várias voltas sobre eles. =)

    Marco, muito perspicaz sobre a Dallara. Se eu não me engano, no tempo da Cart, os Reynard eram bem superiores aos Dallara. Mas como um novo projeto para essa temporada consumiria muito tempo e recursos, só podemos esperar um nível semelhante à Lotus para o próximo ano.

    Alex, os links já estavam nos posts relacionados ao qualifying e corrida da Malásia, porém eu não havia atualizado a página de torrents, o que fiz agora.
    A Campos realmente conseguiu bons resultados, considerando a breve existência.

  3. Alex-Ctba
    09/04/2010 às 20:49

    Ótimo post KBK, desconhecia q tantos pilotos bons tinham passado pela Campos. A Equipe até já apresentou algum progresso do “shakedown” no Bahrein até a última corrida na Malásia, onde já conseguiu terminar a corrida com seus dois carros. Pro Bruno Senna é aquela estória, já q tá no inferno, abraça o capeta. Tem q tentar bater seu companheiro de equipe e tentar algo melhor na sequencia da carreira.

    KBK e os torrents do Qualifying e da Corrida da Malásia?

  4. Luiz Sergio
    09/04/2010 às 10:41

    E essa é a única opção para Chandhok ver uma Red Bull de perto.
    KBK, quando a Hespanta Racing é ultrapassada o Bruno e o indiano, tem milésimos de segundos lado a lado e isso acontece varias vezes durante as corridas, talvez o piloto não consiga nem saber qual foi o carro que fez a ultrapassagem, mais com uma câmera super moderna e rápida tenho quase certeza que consegue captar essa proeza da imagem.

    • Marco
      09/04/2010 às 13:00

      KBK.
      Desde que no tempo do Adrian Campos , anunciou-se que os carros da equipe teriam projeto e construção realizados pela Dallara , eu mesmo fui um dos que falou que seria uma péssima opção ( claro em outros blogs ).
      A Dallara se destaca em competições onde só correm os seus carros , como é o caso da F-Indy ,a GP2 , e quase toda a F-3 .
      Portanto , não há termo de comparação , pois ele esteve sim como equipe na F1 durante alguns anos é verdade , mas nada conseguiu .
      Os carros que eles desenvolvem para a F-Indy , são verdadeiras carroças de muita pouca tecnologia .
      Havemos de concordar que or requisitos básicos tecnologicos de um carro de F1 , são muito maiores do que exigido no automobilismo norte-americano e , nas categorias de base na Europa .
      A Hispânia foi um grande eqüívoco desde a sua formação , passando pelo carro , engenharia , pessoal de box , e pilotos , que dentre os novatos , são o que há de pior .
      Felizmente , alguém com experiência do Geoff , teve coragem de vir a público e falar claramente o que é a equipe .
      Deve estar arrependido de ter saido da Red Bull Racing .
      Valeu , até mais tarde .

    • Marco
      09/04/2010 às 13:06

      Luiz Sergio , dei boas gargalhadas não só com o teu comentário mas como também com a boa legenda do KBK sobre a foto do indiano , por isso o meu comentário entrou como resposta no seu divertido post .
      Mas não seria esse o meu objetivo , mas tá tudo bem .
      Valeu amigo e um grande abraço .

      • Luiz Sergio
        09/04/2010 às 23:06

        Marco, não tem problema já coloquei como piada, pois penso que essa equipe ainda leva tempo de um F2.

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