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Mike Gascoyne (Lotus) mete a boca no paddock!

Esta bela foto de Darren Heath ilustra o carro cujo mentor é o nada simpático Mike Gascoyne.

Segue, abaixo, trechos da entrevista que o diretor técnico da Lotus F1 Racing, Mike Gascoyne (aquele que leva o Truli pra onde vai), concedeu a Adam Hay-Nicholls.

Adam Hay-Nicholls: Como vão as coisas (na Lotus) Gaza?

Mike Gascoyne: Bem, é bom estar aqui (Formula1). Seis meses atrás só havia quatro de nós trabalhando em uma fábrica vazia.

Estar aqui como uma verdadeira equipe de F1 é uma realização. Não não poderíamos estar em melhor forma, pelo tempo que tínhamos. Sempre dissemos que estaríamos aqui, ser profissional e confiável, e fizemos o que havíamos dito.

Agora vamos entrar e fazer rápido. Para aqueles que disseram que as novas equipes não deveriam estar aqui, quando vocês viram Heikke disputando com Hulkenberg, bom…nós estamos aqui, estamos correndo…f*dam-se!

AHN: em algum momento vocês ficaram preocupados que poderiam não estar no Bahrain?

MK: Não, houve momentos que me preocupeu sobre em qual estado nós estaríamos, mas nunca que não estaríamos aqui….No natal, ainda estávamos em 20 pessoas.

AHN: Como você lidou com o fato de ser um diretor?

MK: Qualquer lugar que eu estive desde a Tyrrell, eu sempre construí equipes usando pessoas que lá estavam.

Uma das satisfações desse novo começo é que não herdamos nenhuma “bagagem” ou política – era tudo novo. Eu pude trazer pessoas que eu conhecia, de outras equipes, quem eu sabia que não só eram bons, mas também caráteres que iriam trabalhar bem uns com os outros. Eles tem o “espírito” certo, e isso é o melhor deste time.

AHN: Tony Fernadez (diretor esportivo) lhe deu total liberdade?

MK: Tony está colocando muito de seu próprio dinheiro nessa equipe, e qualquer um que faça isso não lhe dará total liberdade.

Nós temos que justificar e se ater a um orçamento altamente controlado, e isso é certo e apropriado. Ele nos ajuda, tecnicamente, mas ele tem “entrada”.

AHN: a USF1 deve ser autorizada a competir no próxima ano?

MK:  A FIA deve ser justa e abrir um processo de procuração, e neste processo deve ver a performance no passado das pessoas.

Acho que seria muito importante para a F1 ter uma equipe baseada nos EUA e levantaro perfil desse esporte lá. Portanto, acho que é uma grande pena(ou vergonha, palavra dúbia) [que a USF1 não conseguiu estar no grid], porque sabemos melhor que ninguém o quão difícil é.

Porém isso não reflete bem no esporte. Eu gostaria de ver [a representação dos EUA] funcionar, mas gostaria de ver sendo feita de maneira adequada.

AHN: Você é a favor ou contra a re-introdução da regra de 107% na classificação?

MK: F1 é muito equilibrada e qualquer equipe nova começará lá atrás. Nós só tivemos 2 meses para construir um carro, então você não vai conseguir acompanhar quem está fazendo isso a anos.

Eu pessoalmente votaria ‘Não’, porque a temporada começou e não estava nas regras. Mas estamos “bem dentro” dos 107%, então estamos ca**ndo e andando pra isso.

Não há testes. Então como no inferno é a HRT suposta a conseguir alcançar o rítmo se você diz ‘não, você não pode correr’? Isso mostra que o processo de seleção precisa ser mais longo. Quer dizer, nós conseguimos muito profissionalmente, mas tenho certeza que se tivéssemos 1 anos estaríamos competindo com a Sauber e a Toro Rosso no meio do pelotão.

E é preciso ter ‘sangue novo’, caso contrário a F1 vai enfraquecer e morrer. Além disso, carros que correm em Le Mans têm diferença de velocidade enormes, como 1 minuto por volta, e correm de noite e na chuva.

AHN: Você está feliz?

MK: Sim, eu apreciei os últimos 6 mêses imensamente. A única dificuldade foi me mudar para Norfolk, só consigo ver as crianças nos outros fim de semana (que não têm corrida). Recebi um e-mail da minha filha antes da classificação no Bahrain dizendo que ela estava vendo na TV e torcendo pela Lotus. Ela tem 13 anos e orgulho de seu pai – e nunca antes tinha se interessado.

AHN: E você voltou às suas raízes…

MK: O garoto de Norfolk volta pra casa. A Lotus fica a 5 milhas da escola onde estudei. Tudo que precisamos fazer é persuadir o Tony a comprar o Norwich FC e lá vamos nós.

AHN: Por falar da sua infância, vocês têm alguns jogos de fliperama no andar de vendas, aparemtemente?

MK: Sim, temos um pinball e alguns jogos antigos. E você se lembra daquelas antigas mesas de café (ou mesa de centro) que havia em pubs? Eu tenho uma daquelas no meu escritório. E um PS3 com acento de corrida.

Tony queria que fosse algo diferente…fazer algo para o pessoal relaxar…

AHN: Colin Chapman foi um herói para você?

MK: Nós tivemos a Lotus 88 com chassi duplo no workshop e eu realmente gostei daquilo…aquilo era inteligente.  Um grande inovador, e mais que só um engenheiro. Ele era uma figura.

Ele era alguém que eu admirava massivamente. É errado tentar comparar ele comigo, porque ele fica com cabeça e ombros acima de qualquer um nesse esporte, pelo que ele alcançou.

AHN: Você gostaria de trabalhar naquela época?

MK: Minha primeira paixão foi aviação, e eu adoraria trabalhar com aquilo, ou na indústria espacial nos anos 50 e 60, por serem grandes eras para inovação, e em corridas de automóveis era a mesma coisa.

Você sempre pode pensar “e se”, mas estou muito feliz com o desenrolar da minha carreira. E quando eu decidir que chegou a hora, vou velejar.




– Para uma cobertura completa antes e depois do GP australiano, acompanhe a saga No clima de Melbourne.

– Mais sobre Lotus e as outras Equipes “nanicas”.

  1. KBK
    29/03/2010 às 15:06

    Pra falar a verdade, não sei muito não Marco. Sei da importância da chegada dos alemães, um pouco sobre primeiros motores traseiros, fora isso meu conhecimento é escasso.
    O detalhe a pintura é curioso, até folclórico. Mas o importante é o “mito” que criou.

    Quem sabe não rola um post no futuro…

  2. Marco
    27/03/2010 às 0:20

    KBK, é muito interessante o porque do nome Flecha Prateada .
    Você sabe né , que lá pela décadas 40 , 50 , os carros de cada país , corriam com cores determinadas pela FIA como por exemplo : Equipes inglêsas corriam com carros verdes , italiana com vermelhos , francêsa com azul , alemã com carros brancos e assim por diante .
    Pois bem , como os carros da Alemanhã estavam um pouco acima do peso permitido na época ,eles lixaram a tinta branca , como o carro era de alumínio e outros matériais prateados , e a ” lixada ” ficou com uma tonalidade reluzente , deixaram assim .
    Como passaram a ganhar tudo nessa época , a imprenssa não teve outra alternativa de senão passar a chamar os carros da Mercedes/Audi de , os Flechas Prateadas .
    A história é mais ou menos essa , mas tenho certeza que você sabe dela muito bem e , pode quem sabe um dia contar melhor essa história pra todos nós , já que estamos novamente com os ” flechas prateadas ” entre nós .
    Abraços .

  3. KBK
    26/03/2010 às 23:34

    É uma história longa e vitoriosa, não é?
    Confesso que não conheço metade dela, mas sei que a revolução que e Sr. Chapman, principalmente, trouxe à F1 é determinante para o nível que o esporte se encontra hoje.
    Outro momento de evolução, anterior à esse, foi quando as Flechas de Prata originais chegaram à categoria. São histórias que construíram essa mítica categoria.

  4. Marco
    26/03/2010 às 22:39

    Falar de Lotus KBK , é reescrever um pouco da verdadeira história da Fórmula 1 .
    Nessa história aparecem lendas como : a própria Lotus Team , chassi monocoque ,aerofólio , efeito solo ( carro asa ) , Colin Chapman , boné , Jim Clark , Graham Hill , Jochen Rindt , Emerson Fittipaldi , Mário Andretti …

  5. KBK
    26/03/2010 às 18:09

    Luiz, foi-se a última Virgin…hehe

    Bacana Strider! Vou ficar de olho. A propósito, quem fabrica essas miniaturas?

    • 29/03/2010 às 9:43

      Ae KBK, quem fabrica sou eu mesmo, em casa, nas poucas horas do meu tempo livre, com a ajuda da Marília, minha adorada esposa.

      Dá uma olhada lá hoje, já tem novidade. Esse fim de semana terminei uma exclusivíssima miniaturas da Virgin VR-01 do Lucas di Grassi. Só tem uma no mundo, e é do Brasil-sil-sil!

  6. 26/03/2010 às 15:14

    Ele até que é simpático. O fato é que não está nem aí para o que os outros falam dele. Igual ao Räikkonen. Vai lá e faz o seu trabalho. Tem que ser assim mesmo.

    Nos tempos da Lotus de Colin Chapman eu ainda era nenezinho, então não lembro de nada. Mas vi alguns vídeos no Youtube e é sensacional. A expectativa nostálgica em torno do lançamento da Lotus Racing atual praticamente beirava a histeria. Eu fui “contaminado” e hoje sigo de perto o carro verde-inglaterra.

    KBK, obrigado por incluir o meu link. E te digo em primeira mão: Em breve o Mini Mania F1 vai apresentar com exclusividade uma miniatura do T127, o carro da foto que ilustra esta matéria. Pode procurar, ninguém no mundo tem miniatura dele. É exclusiva. E é do Brasil.

  7. Luiz Sergio
    26/03/2010 às 12:35

    Coitada da Virgem, vai ter que fazer uma nova cirurgia para aguentar um tanque mais grosso e mais comprido, a Virgem não vai ser mais a mesma, ainda tem que voltar para fazer de novo o teste da FIA, se a estrutura aguentou a mudança.

  8. Luiz Sergio
    26/03/2010 às 8:26

    Nelson Piquet, era uma pessoa que falava o que pensava, depois que se aposentou, ficou uma pessoa grosseira, penso que o filho fez ele ver a vida por outros olhos,
    espero Nelsão, volte a ser verdadeiro sem ser arrogante, intragável.

  9. 26/03/2010 às 0:41

    Bacana a entrevista. Gosto de caras assim, sem “medo” de falar o que pensam.

    • KBK
      26/03/2010 às 13:32

      Também acho legal quem fala sem se preocupar muito. Eu tentaria evitar os palavrões, mas assim é mais divertido pra nós né…hehe

  10. Luiz Sergio
    25/03/2010 às 22:56

    Lotus sempre foi minha paixão.
    Ter terminado a primeira prova foi uma vitória.
    Vamos ver o que a Lotus consegue nessa segunda prova.

    • KBK
      26/03/2010 às 13:39

      Colin Chapman e Jim Clark…esses nomes já dizem tudo. Também torço por eles!
      RBR, Sauber, Williams e Lotus.

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